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Aprenda a tratar a verminose super resistente

Publicado em 25-01-2010

O uso indiscriminado de vermifugos pode agravar a situação, criando vermes ainda mais resistentes

Um grande entrave, para não falar o ponto mais importante dentro da sanidade dos pequenos ruminantes, é o convívio diário com quadros de verminose dentro do rebanho. Sabe-se que animais doentes, atingidos por verminoses, tem seu desempenho produtivo e reprodutivo reduzido, já que este quadro é caracterizado por diarréia intensa e anemia severa e, quando não tomado as devidas providências, leva a morte animal.

O principal verme e causador de grandes prejuízos econômicos é o Haemonchus contortus, um endoparasita hematófago, ou seja, sugador de sangue na qual um único parasita pode ingerir cerca de 0,05 mL/animal/dia. São encontrados no verdadeiro estômago (abomaso) do animal, sendo que, a contaminação ocorre pela ingestão de pastos contaminados com larvas L3 (forma infectante).

Quando são ingeridas, evoluem de L3 para vermes adultos se alojando no abomaso, e além do problema de hematofagia, os vermes adultos liberam ovos nas quais irão contaminar os piquetes, disseminando assim a infestação e agravando o quadro na fazenda. A gravidade do quadro clínico é classificada em parasitose leve (<500), moderada (500 a 1.500), severa (> 1.500) e fatal (> 3.000 ovos), lembrando que o parasita fêmea coloca cerca de 10.000 ovos/dia.

Baseado nisso, a forma mas racional, como terapia ou controle, seria o uso de vermífugos. Claro! O mais indicado seria usar uma molécula nova, de última geração até obter a "esterilização" completa dos animais. Mas o problema está aí: o uso indiscriminado de vermífugos.

Este uso indiscriminado de vermífugos, desde os produtos mais antigos até os mais novos, tem criado vermes resistentes ou os famosos "super vermes" resistentes a tudo. Muitos pecuaristas utilizam a informação que a base farmacológica deve ser rotacionada com as demais, o que é o correto, no entanto, o esquema de rotação de vermífugos utilizados no rebanho deverá ser feito rigorosamente.

Quando a troca é realizada em curto espaço de tempo, a resistência aumenta e ocorre rapidamente. Mas outros fatores também predispõem a resistência, como tratamento de todo rebanho sem separar os realmente doentes, aquisição de animais infectados com cepas resistentes e a troca de piquete imediatamente pós prática de vermifugação.

Para evitar ou minimizar o risco de resistência dentro da sua fazenda, a indicação correta é utilizar o produto até se obter resistência ou quando mesmo não tiver mais efeito terapêutico nos animais. O vermífugo de eleição para uso dentro da fazenda deverá ser feito por orientação e supervisão de um médico veterinário. Para testar se um produto é eficaz ou não, é obrigatório um exame prévio dos animais com bases no exame clínico e parasitológico, para apontar os animais realmente doentes e se há necessidade ou não de vermifugar todo o rebanho.

O exame coproparasitológico através da técnica de OPG (contagem de ovos por gramas de fezes) deverá ser realizado por amostragem, com coleta de fezes de 10 a 20% dos animais do rebanho, escolhidos ao acaso, cuja finalidade é verificar o nível de infestação e tipo de vermes presentes no rebanho.

Executado tal seleção, opta-se pela escolha de vermífugos e após o período de ação, cerca de 7 a 10 dias, os resultados terão que ser analisados e avaliados quanto sua cura clínica e eficácia no rebanho amostrado. Para saber se o vermífugo escolhido tem eficácia positiva, na qual o resultado deverá ser acima de 90%, utiliza-se a seguinte fórmula:

Média de OPG *1 - média de OPG **2/Média de OPG *1 x 100 = eficácia (%)

*1 = coleta antes do momento da vermifugação
**2 = 10 dia pós vermifugação

Exemplo prático

1.500 (coleta antes do momento da vermifugação) - 500 (10 dias após vermifugação)/1500 (coleta antes do momento da vermifugação) = 0,66 x 100 = 66,6% de eficácia. Neste caso o princípio ativo deverá ser trocado.

Feito o teste de eficácia e escolha do vermífugo eleito na propriedade, o mesmo deverá ser utilizado até que ocorra a redução de sua eficácia, ou seja, abaixo de 90%. Mas outra possibilidade para minimizar o risco de resistência das verminoses é rotacionar o vermífugo a cada ano de uso, por exemplo, vermifugar os animais no máximo de 8 vezes ao ano e rotacionar o princípio ativo após este período, trocando-o posteriormente aos 8 tratamentos por uma outra base ativa, porém sempre supervisionado por um médico meterinário.

Um exemplo prático (exemplo 1) seria vermifugar os animais altamente infestados a cada 45 dias, sendo que no 1º ano opta-se pela base farmacológica de closantel, no 2º ano troca-se por um produto a base de sulfóxido de albendazol, no 3º ano ivermectina, no 4º ano moxidectina e assim por diante, mas se a eficácia for inferior há alguma destas bases, a rotação poderá ser feita antes de 8 tratamento ou um ano.

Exemplo 1



No exemplo 2, poderá utilizar o produto até a redução de sua eficácia, e só assim será feita a rotação do princípio ativo. Mas em ambos os casos, o que tem que ser trocado é o princípio ativo e não apenas o nome comercial do produto de mesma base farmacológica.

Exemplo 2



Vale ressaltar que a rotação indiscriminada, ou seja, aquela feita a cada mês ou 2 meses, só força a seleção e resistência por parte dos parasitas. Este tipo de ação deve ser banido do quadro sanitário da fazenda.

Estes procedimentos de eficácia e rotação racional de produtos, seguido com rigor e critério, irá proporcionar maior economia animal, diminuindo o número de doentes dentro do rebanho associado a menor incidência de resistência dos vermes, garantindo assim, sucesso desta espetacular criação que é a de pequenos ruminantes. Claro que saudáveis!
Fonte: FarmPoint

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