25 de Abril de 2018

Entrevista com Assessora do “Forrageiras para o Semiárido”


Ascom Senar

A assessora técnica do Instituto CNA Ana Carolina Mera visitou a unidade de referência tecnológica do projeto “Forrageiras Para o Semiário” na Paraíba, em Tenório. Ele conversou um pouco com a nossa equipe sobre a situação do nosso Estado dentro do projeto e dos benefícios que o “Forrageiras” pretende trazer ao produtor rural.

SENAR-PB: Qual foi a intenção da visita, ela já faz parte de algum roteiro? Teve algum motivo especial na Paraíba?

ANA CAROLINA: Faz parte de um roteiro estabelecido. A ideia é que a gente percorra todas as unidades para observar desde o momento de implementação das áreas até as coletas de dados e posteriormente os resultados. Havia uma previsão de visitar a Paraíba. Quatro estados estavam aguardando o período de chuvas para poder dar sequência ao plantio, e um deles era a Paraíba. Existe ainda Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Começamos por aqui e agora vamos seguir em direção ao Pernambuco, quando encerramos a implantação das unidades de referência tecnológica do projeto.

S: Qual a avaliação que você encontrou aqui?

AC: Estamos num momento de conclusão da instalação da área. Então toda a parte de infraestrutura que contém a parte de cerca, a estação meteorológica, entre outros, está coletando dados. A área está totalmente demarcada, as palmas já foram plantadas a mais ou menos um mês e meio dois meses e estávamos aguardando a chuva para começar o plantio das gramíneas anuais perenes e leguminosas. Choveu um pouco no início da semana antes da gente chegar, então nosso técnico começou o processo de plantio das gramíneas anuais e agora esses três dias que a gente esteve lá não choveu e ele não deu sequência ao plantio. A previsão é que até a próxima semana a gente tenha chuva e que ele finalize a parte de plantio. A partir daí é acompanhar esse plantio, a germinação e iniciar as coletas de dados.

S: Só pode plantar quando chove?

AC: Você precisa de água para germinar. No caso das cactáceas, não. O ideal é plantar mais ou menos com 30 dias ou um pouco mais a partir do plantio sem chuva porque senão você pode ter um enfraquecimento das raquetes. No caso de gramíneas e leguminosas.  Porque se você plantar por semente, você precisa da chuva para germinar, ou do solo úmido.

S: A chuva é um delimitador do projeto em cada região, mas em contexto mais geral, como se situa a PB na evolução do projeto?

AC: A gente iniciou o projeto com a parte de plantio por volta de agosto de 2017 e o nosso calendário de plantio se estica até meados de maio de 2018, porque levamos em consideração as características climáticas dos locais. Temos, hoje, treze áreas em locais diferentes dos estados do Nordeste e duas cidades de Minas. São regiões com características muito distintas. Por exemplo, nas duas regiões da Bahia, plantamos no início de agosto, Minas foi por meados de setembro e no final de novembro e dezembro plantamos no Maranhão, depois Piauí e Ceará. O Rio Grande do Norte está plantando e os quatro últimos estados Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Sergipe têm o calendário de plantio até maio. Especificamente, a Paraíba está cumprindo o calendário e dentro do período de plantio. Não tivemos nenhuma condição climática adversa até agora.

S: No intervalo da estiagem que o sol volta a ficar seco, isso pode prejudicar o desenvolvimento das gramíneas e leguminosas?

AC: Pode sim, chamamos esse período de veranico. Um acumulado de 100 mL de chuva e depois uns 10 ou 15 dias de seca. Isso pode prejudicar o desenvolvimento das plantas, mas isso é previsto dentro do nosso calendário na época de replantio. Temos uma margem de 2 ou 3 meses de período chuvoso para poder fazer o plantio dessas gramíneas. No caso, se não chover nos próximos 10 ou 15 dias e as plantas não germinarem, por volta de maio a gente refaz o plantio com mais chuva. É perfeitamente comum e a maioria das áreas foi feito o replantio, porque vem a primeira chuva e a gente acha que dá condições favoráveis de plantar e às vezes é só um veranico. Mas mesmo se não plantássemos é difícil. Se há um período de chuva e você segura achando que vai é veranico e não planta, você pode perder o timing do plantio. É um jogo de tentativa e erro.

S: Em relação ao panorama do projeto no país, as unidades que começaram antes, têm resultados parciais? Eles já apontam a efetividade das variedades testadas?

AC: Não. Ainda não temos nenhum resultado concreto que possa ser feito divulgação. Principalmente quando se trabalha com o semiárido, que tem características muito diversas. A gente precisa ter essa avaliação num ano e no ano seguinte. Ainda é muito cedo e, por isso, é perigoso dar um indicativo de avaliação, mesmo porque podemos ter todos os dados desse ano com uma safra com condições extremamente favoráveis e na próxima safra a gente ter uma condição totalmente adversa. Teríamos que testar tudo de novo. Normalmente, o primeiro ano de um projeto científico é um ano de ajustes para se ter os melhores resultados. O projeto “Forrageiras”, embora tenha um tempo curto, também temos um trabalho científico, então temos todo um critério para divulgar os resultados. O que nós estamos fazendo nas áreas plantas é recolher os dados, embora ainda sem resultados. Até porque esses resultados precisam passar por toda uma crítica, que será feita pelo nosso parceiro Embrapa.

S: A gente sempre fala que as forrageiras serão ofertadas para o público, mas eu queria que você exemplificasse de maneira prática como se espera que esse resultado chegue ao produtor rural?

AC: O objetivo desse projeto é que ao final a gente possa indicar aos produtores das regiões, quais foram as melhores plantas forrageiras adaptadas aquelas regiões de clima semiárido. Entre os materiais que trabalhamos, as gramíneas anuais, as gramíneas perenes, as leguminosas e as cactáceas. Queremos indicar pelo menos um material de cada espécie que apresentou características de tolerância, teve maior quantidade de matéria produzida e também qualidade. Não é só ter volume de matéria seca, por exemplo. É importante ressaltar que nenhum dos materiais que a gente está testando são novos. São materiais de domínio público, que muitas vezes já são utilizados pelos produtores. Contudo, são materiais que nunca testamos no arranjo do projeto ou exposto sob as condições de clima semiárido. A ideia é ver qual deles obteve a melhor resposta, qual cresceu mais, cresceu num tempo mais rápido, qual tem uma melhor qualidade alimentar para o rebanho, qual tem a melhor qualidade de silagem, e por aí vai.

S: Em tese é possível que a gente tenha uma espécie indicada pra Minas e outra para o Maranhão?

AC: Sim, perfeitamente. Não vamos comparar regiões, a ideia é indicar os materiais que se adaptaram. E isso tem relação com clima e solo. Nossa expectativa é que tenhamos matérias diferenciados para as regiões. Nós consideramos materiais locais, quando escolhemos que espécies analisar, levamos em conta o que é utilizado nas regiões. As cactáceas por exemplo, temos três tipos que são utilizadas em todas as unidades e uma quarta cultivar que eles escolheram porque na região é mais utilizada. Nem sempre os materiais são os mesmos, no caso das gramíneas perenes, quatro são idênticas em todas as áreas e duas são alternativas locais.

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