18 de julho de 2012

Caprinovinocultura dá sustentabilidade a 600 produtores


Ascom Senar-PB

Há 12 anos, a microrregião do Cariri paraibano organizou 20 associações que geram renda para 600 pequenos produtores rurais. Eles fornecem cerca de 500 mil litros de leite de cabra por mês somente para o Programa do Leite, segundo o IBGE. Com isso, a caprinovinocultura continua forte, mesmo com problemas. Para apresentar este cenário e a reeducação ao consumo do produto, a cidade de Gurjão realizará a 12ª Expofeira de Caprinos e Ovinos – Bode na Rua, no período de 20 a 22 de julho.
A maior produção de leite de cabra do Brasil se concentra no Cariri e, de acordo com o IBGE, fica à frente do Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco. O leite é beneficiado em São Sebastião do Umbuzeiro, Zabelê, Monteiro, Prata, Amparo, Sumé, Gurjão e Cabaceiras. Essas oito Unidades de Beneficiamento de Leite (UBLs) distribuem para 31 municípios do território. O leite beneficiado, pasteurizado e envasado, beneficia aproximadamente três mil famílias carentes.
O projeto é apoiado pelo Sebrae Paraíba e outras instituições que trabalham pela evolução dos agricultores familiares, como a Fundação Banco do Brasil e o BNDES. Desenvolvem ainda ações de fortalecimento da cadeia da caprinovinocultura no território, a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) em Patos, Embrapa Caprinos, Parque Tecnológico, além de várias ONGs.
Conforme o analista técnico do Sebrae em Monteiro e gestor do projeto Aprisco, João Jardelino Neto, atualmente, 80% dos pequenos produtores rurais produzem até 20 litros de leite de cabra/dia. “Isso gera uma renda bruta mensal de R$ 750,00 para cada família, já que o perfil destes produtores são todos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)”, disse.
Ele disse que o Cariri já tem um padrão satisfatório para os produtos derivados do leite. “Participamos de feiras e eventos, com degustação e pesquisas junto a consumidores e sempre somos destaque pela qualidade dos produtos”, afirma. Os esforços atualmente são para livrar os produtores da dependência das compras governamentais.

Mas, para manter a sustentabilidade ao Programa do Leite de Cabra, iniciado há três anos, criaram um processo de qualificação para os derivados lácteos caprinos, como queijos tipo frescal, iogurte, achocolatado, leite pasteurizado e o licor de leite de cabra. “Buscamos parcerias para beneficiamento e envase do leite tipo longa vida, de melhor logística de distribuição, e uma estrutura de beneficiamento de leite em pó”, falou João Jardelino. Consumo – O Programa tem gerado uma inclusão social significativa, uma vez que tem criado um mercado e uma cultura de consumo de leite de cabra. “Isso melhora a qualidade de vida do pequeno produtor no semiárido, movimenta a economia no território, com acesso da cadeia produtiva a recursos diretos e indiretos na ordem de R$ 800 mil/mês”, completou. ADRs – Neste segmento da caprinovicultura figura o Agente de Desenvolvimento Regional Sustentável (ADRS). Importante para a mobilização social, consolidação e evolução da adoção e práticas tecnológicas simples, porém com a linguagem do homem do campo. Uma nova etapa do programa está selecionando 20 ADRS para atuarem no Cariri paraibano. O profissional deve ter formação como técnico agrícola e é capacitado e orientado para atender os 600 caprinocultores paraibanos. Frigorífico – Dentro das ações estruturantes do programa da caprinocultura de corte foi construído um frigorífico no município de Monteiro com recursos do Pronaf e Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Foi um consórcio de sete municípios do Cariri, com capacidade de abate de 100 animais/dia. “Não se conseguiu ainda viabilizar o seu funcionamento, principalmente pelo nível ainda elevado de informalidade na cadeia do segmento. Até a pele caprina será aproveitada”, disse. Curtume – Ainda para a caprinovinocultura, está em funcionamento um curtume no Cariri paraibano, no município de Cabaceiras, a Associação de Produtores de Artefatos de Couro de Cabra (Arteza). A Associação agrega valor à pele caprina, remunerando também os produtores, estimulando um negócio que cresce no mundo. Em 2013 e 2014 mais 300 pequenos caprinocultores se integrarão ao programa. Bode na rua – A 12ª Expofeira de Gurjão tem apresentado como objetivo principal a geração de emprego e renda para criadores do município e de outras regiões do estado. “O evento é o principal responsável pela transferência de novas tecnologias, introdução de raças melhoradas, em especial para a produção de leite. Isso tem valorizado a cadeia da caprinovinocultura, promovendo melhor inserção no mercado, numa das regiões mais castigadas pela estiagem”, comentou João Jardelino. Programação

Dia 19 (quinta) 12h – 3ª Mostra Estadual de Caprinos Leiteiros | 15h – recepção dos animais Dia 20 (sexta) 7h – continua recepção de animais 15h30 – abertura oficial do evento 16h20 – celebração da Santa Missa 18h30 – secagem das cabras dos concursos leiteiros 20h – apresentação de grupos artísticos 22h – Forró do bode Dia 21 (sábado) 6h30 – Concursos de cabras leiteiras (1ª ordenha) 8h – início da comercialização oficial (crédito rural) 9h – julgamento de animais 12h – Forrobodança 18h30 – Concursos de cabras leiteiras (2ª ordenha) 22h – Forró da cabra Dia 22 (domingo) 6h30 – Concursos de cabras leiteiras (3ª ordenha) 10h – Forrobodança com entrega das premiaçõe.  
Fonte: Nação Ruralista