6 de maio de 2013

05 de maio, dia mundial do campo


Ascom Senar-PB

Na letra do honroso Joaquim Osório, o hino nacional brasileiro anuncia uma terra fértil como nenhuma outra no mundo. “Do que a terra, mais garrida, teus risonhos, lindos campos têm mais flores; Nossos bosques têm mais vida, nossa vida no teu seio mais amores.” Gigante pela própria natureza, o Brasil, rico em vastos campos, sofre com a falta de planejamento e ações políticas que impulsionem o meio rural.
Hoje, o homem dos campos nordestinos dispõe, praticamente, da fé como instrumento principal para salvar sua produção agropecuária. Foi-se o tempo em que este visava à expansão da sua plantação ou da sua criação de gado. As poucas imagens que a mídia expõe sobre os efeitos devastadores da maior seca dos últimos 50 anos parecem comover menos que o último capítulo das novelas das 21h.
São 1.348 munícipios do Nordeste que integram o chamado Polígono das Secas, expostos anualmente à falta de chuva e a políticas estéreis que humilham o sertanejam e enriquecem a imagem dos políticos da nossa região e país. Políticos que, frequentemente, lançam ao chão palavras entorpecidas de esperança, mas que perdem a força ao longo do caminho.
Constantemente, órgãos oficiais como a Conab e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento anunciam recordes nas safras, na produção de soja, de milho. Milho este incapaz de chegar até os produtores da nossa região, pois esbarram na precariedade do nosso sistema de logística e infraestrutura que encarecem o transporte dessas cargas que chegam –quando chegam – mais caras que o produtor, desfalcado pelo efeito da estiagem, pode pagar.
Talvez o Dia Mundial do Campo não seja mais uma data comemorativa, como já fora um dia. Nosso estado já foi o maior produtor de abacaxi do país, figurava entre os 10 maiores produtores de leite do Brasil e era – ou ainda é – conhecido pela forte genética da raça de bovinos Sindi – que está morrendo pelos campos.
Talvez um dia tenhamos motivos para voltarmos a nos orgulhar dessa Pátria Amada, mas abandonada. Mais uma vez Joaquim Osório acerta quando cantarola “Verás que um filho teu não foge à luta”. Não fugimos. Temos convicção da nossa tarefa, de sermos ouvidos e atendidos em nossas exigências para salvar o setor. Infelizmente, a opinião pública urbana no Brasil não enxerga que o Brasil é Agro. Se ela pensasse assim, cobraria muito mais a nossa classe política. E o Agronegócio precisa de uma institucionalização, necessita que o setor público tome à frente no planejamento do setor e guie projetos que sejam perenes e eficientes, que façam ter sentido a gravura “Ordem e Progresso” da nossa tão suada bandeira.

Mário Borba
Presidente do Sistema FAEPA/SENAR-PB